Por Pedro Rodriguez
Comecei a gostar e acompanhar de perto o futebol em 1986, com 7 anos de idade. Geralmente é nessa época que todo moleque desenvolve o vício futebolístico. Bem na época da Copa do México, com Naranjito, Estádio Azteca e tudo o mais.
Meu pai, nasceu na Espanha, mas saiu de lá com 4 anos de idade e junto com meus avós desembarcou em Montevidéu-Uruguay.
Com 11 anos, foi para a Argentina. Lá ele estudou, cresceu, trabalhou, virou homem e claro, desenvolveu também suas ligações com o esporte bretão. Ele, torcedor do River Plate e fanático pela Seleção Argentina.
Com 27 anos veio ao Brasil, para entre outras coisas conhecer minha mãe e gerar esse que para vós escreve.
Pois assistir a Copa de 86 na minha casa era algo peculiar. Na sala, uma televisão colorida Mitsubishi (com ZOOM!) fazia a alegria da família. Nos jogos da Argentina, a estante de cerejeira, típica dos anos 80, ostentava uma camisa que outrora foi usada por Dom Diego Maradona, presenteada ao meu pai por um amigo que tinha fácil acesso à AFA.
Nos jogos do Brasil a mesma festa. Sem camisa pendurada na estante, é verdade. Mas o sentimento e a torcida eram iguais. Também por influência do meu pai, tínhamos uma pontinha de prazer ao ver a Espanha jogar. Embora todos tenham torcido muito pelo gol de Sócrates contra a Fúria no jogo de estréia da amarelinha.
Mas é claro, que vendo a magia despejada pela seleção Argentina, principalmente pelo dono da camisa que enfeitava a estante da minha casa, eu não tinha como não ter uma paixão especial por essa seleção. E lembremos de uma coisa: Seleção não tem nada a ver com patriotismo! E aliás, León Tolstói já dizia: “O patriotismo é último refúgio dos canalhas”.
E essa coisa inexplicável minha com a seleção da Argentina permanece até hoje. Claro que eu sempre torci pro Brasil. Em 94 chorei de emoção ao ver aquela seleção que jogava feio à beça ser campeã. Mas pouco a pouco a Seleção Brasileira foi se convertendo em Seleção da CBF e depois de 98 resolvi riscá-la definitivamente do meu caderninho.
E enquanto isso a Espanha estava lá, como minha seleção secundária ou terciária, já que sempre esteve mais para gatinho manhoso do que para FÚRIA.
Mas domingo foi diferente. A equipe mostrou personalidade, vontade de vencer, mostrou que definitivamente aquele medo de fracassar havia ido embora e como um sábio já disse que o “medo de perder tira a vontade de ganhar”, a FÚRIA não tomou conhecimento da Alemanha e após 44 longos anos, conquistou o título da EURO 2008.
Parabéns Espanha! Pode parecer oportunismo, mas eu não posso deixar de mostrar minha alegria e satisfação de ver que como em 86 e 94 estou vendo uma das minhas seleções ser consagrada CAMPEÃ!