Minha estranha relação com as Seleções de Futebol

1 07 2008

Por Pedro Rodriguez

Comecei a gostar e acompanhar de perto o futebol em 1986, com 7 anos de idade. Geralmente é nessa época que todo moleque desenvolve o vício futebolístico. Bem na época da Copa do México, com Naranjito, Estádio Azteca e tudo o mais.

Meu pai, nasceu na Espanha, mas saiu de lá com 4 anos de idade e junto com meus avós desembarcou em Montevidéu-Uruguay.

Com 11 anos, foi para a Argentina. Lá ele estudou, cresceu, trabalhou, virou homem e claro, desenvolveu também suas ligações com o esporte bretão. Ele, torcedor do River Plate e fanático pela Seleção Argentina.

Com 27 anos veio ao Brasil, para entre outras coisas conhecer minha mãe e gerar esse que para vós escreve.

Pois assistir a Copa de 86 na minha casa era algo peculiar. Na sala, uma televisão colorida Mitsubishi (com ZOOM!) fazia a alegria da família. Nos jogos da Argentina, a estante de cerejeira, típica dos anos 80, ostentava uma camisa que outrora foi usada por Dom Diego Maradona, presenteada ao meu pai por um amigo que tinha fácil acesso à AFA.

Nos jogos do Brasil a mesma festa. Sem camisa pendurada na estante, é verdade. Mas o sentimento e a torcida eram iguais. Também por influência do meu pai, tínhamos uma pontinha de prazer ao ver a Espanha jogar. Embora todos tenham torcido muito pelo gol de Sócrates contra a Fúria no jogo de estréia da amarelinha.

Mas é claro, que vendo a magia despejada pela seleção Argentina, principalmente pelo dono da camisa que enfeitava a estante da minha casa, eu não tinha como não ter uma paixão especial por essa seleção. E lembremos de uma coisa: Seleção não tem nada a ver com patriotismo! E aliás, León Tolstói já dizia: “O patriotismo é último refúgio dos canalhas”.

E essa coisa inexplicável minha com a seleção da Argentina permanece até hoje. Claro que eu sempre torci pro Brasil. Em 94 chorei de emoção ao ver aquela seleção que jogava feio à beça ser campeã. Mas pouco a pouco a Seleção Brasileira foi se convertendo em Seleção da CBF e depois de 98 resolvi riscá-la definitivamente do meu caderninho.

E enquanto isso a Espanha estava lá, como minha seleção secundária ou terciária, já que sempre esteve mais para gatinho manhoso do que para FÚRIA.

Mas domingo foi diferente. A equipe mostrou personalidade, vontade de vencer, mostrou que definitivamente aquele medo de fracassar havia ido embora e como um sábio já disse que o “medo de perder tira a vontade de ganhar”, a FÚRIA não tomou conhecimento da Alemanha e após 44 longos anos, conquistou o título da EURO 2008.

Parabéns Espanha! Pode parecer oportunismo, mas eu não posso deixar de mostrar minha alegria e satisfação de ver que como em 86 e 94 estou vendo uma das minhas seleções ser consagrada CAMPEÃ!





Mais uma história sobre a Copa de 1958

30 06 2008

Por Pedro Rodriguez

Não é minha especialidade a seleção Canarinha, confesso. Mas esses dias, com essa avalanche de informações e regates históricos do famoso título brasileiro de 1958, acabei ouvindo uma história bem interessante e curiosa. Parte da fonte foi o próprio Cássio Brandão e parte eu ouvi no programa Fanáticos por Futebol do Marcelo Duarte, na Rádio Bandeirantes.

Quando chegou à final da Copa contra a Suécia, a seleção passou por um sorteio para ver quem jogaria com a camisa amarela. E o Brasil perdeu. O complicado é que o Brasil só tinha camisas amarelas.

Nesse momento, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira e homem que tinha a obsessão de evitar que os fracassos de 1950 e 1954 voltassem a assolar os brazucas, teria que tomar uma decisão. Com qual camisa jogaria a Seleção Brasileira? As opções eram: o branco, que além de confundir as transmissões P&B com a camisa amarela sueca, era a grande imagem daquela final contra o Uruguai em 1950; e finalmente o verde ou o azul.

Paulo Machado de Carvalho, devoto de Nossa Senhora Aparecida, após muito pensar, decidiu e comunicou aos jogadores: – Jogaremos de AZUL. É a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida!

Foi o que precisava para terminar de convencer o grupo de jogadores supersticiosos (Zagallo era um deles) que temiam um novo fracasso por não jogar com a amarelinha.

Compraram o pano azul e confeccionaram as camisas. E os números? Desenharam e cortaram os números no tecido das camisas amarelas que estavam reservadas para a final e costuraram na camisa azul predestinada. O pacote estava completo. Tinham as camisas da cor do manto da Padroeira do Brasil e na dúvida, um pedacinho da camisa amarela nas costas de cada jogador.