Dream Team

6 07 2008

por Cássio Brandão

Eu gosto de boteco e frequento um bem pé sujo no bairro onde moro, o Bar do Ítalo. Eu adoro. Quem não gosta muito é a minha mãe, mas isso é assunto pra outro dia.

O fato é que no bar do Ítalo um dos assuntos mais populares, como em qualque bar, é o futebol. Rolam discussões incríveis, muitas vezes acaloradas. O público médio já passou da casa dos quarenta, tem média de meio século, então…

E hoje discutíamos sobre qual seleção foi maior: 58 ou 70? Eu mesmo levantei esse assunto, já que Pelé escancarou na semana passada sua predileção pela primeira seleção campeão do mundo.

Quase todo mundo concordou que a de 70 foi a maior. Eu sou um dos defensores – e pra isso sempre uso o argumento dos cinco camisas 10 de origem jogando no mesmo time: Pelé, Gérson, Tostão, Jairzinho e Rivellino.

Aí, conversa vai, conversa vem, começamos a elencar grandes jogadores e uma constatação: dos gênios incontestes, só leitura e videotape. Não vi nenhum jogar!

Entre uma Brahma e outra, montamos a seleção abaixo, a maior seleção de todos os tempos, com várias concessões, jogadores improvisados e um time pra lá de ofensivo:

1 – Gilmar
2 – Djalma Santos
3 – Luis Pereira
4 – Carlos Alberto Torres
6 – Nilton Santos
5 – Didi
8 – Tostão
7 – Zico
9 – Rivellino
10 – Garrincha
11 – Pelé

Técnico: João Saldanha
Presidente: Vicente Matheus

E aí, concorda? Quem ficou de fora nesse, literalmente, time dos sonhos?





Mais uma história sobre a Copa de 1958

30 06 2008

Por Pedro Rodriguez

Não é minha especialidade a seleção Canarinha, confesso. Mas esses dias, com essa avalanche de informações e regates históricos do famoso título brasileiro de 1958, acabei ouvindo uma história bem interessante e curiosa. Parte da fonte foi o próprio Cássio Brandão e parte eu ouvi no programa Fanáticos por Futebol do Marcelo Duarte, na Rádio Bandeirantes.

Quando chegou à final da Copa contra a Suécia, a seleção passou por um sorteio para ver quem jogaria com a camisa amarela. E o Brasil perdeu. O complicado é que o Brasil só tinha camisas amarelas.

Nesse momento, Paulo Machado de Carvalho, chefe da delegação brasileira e homem que tinha a obsessão de evitar que os fracassos de 1950 e 1954 voltassem a assolar os brazucas, teria que tomar uma decisão. Com qual camisa jogaria a Seleção Brasileira? As opções eram: o branco, que além de confundir as transmissões P&B com a camisa amarela sueca, era a grande imagem daquela final contra o Uruguai em 1950; e finalmente o verde ou o azul.

Paulo Machado de Carvalho, devoto de Nossa Senhora Aparecida, após muito pensar, decidiu e comunicou aos jogadores: – Jogaremos de AZUL. É a cor do manto de Nossa Senhora Aparecida!

Foi o que precisava para terminar de convencer o grupo de jogadores supersticiosos (Zagallo era um deles) que temiam um novo fracasso por não jogar com a amarelinha.

Compraram o pano azul e confeccionaram as camisas. E os números? Desenharam e cortaram os números no tecido das camisas amarelas que estavam reservadas para a final e costuraram na camisa azul predestinada. O pacote estava completo. Tinham as camisas da cor do manto da Padroeira do Brasil e na dúvida, um pedacinho da camisa amarela nas costas de cada jogador.

 





Cinquenta anos esta noite

29 06 2008

por Cássio Brandão

Exatamente há cinquenta anos, Pelé, o maior jogador de todas as galáxias, planetas, regiões, distritos, vilas e afins, com apenas 17 anos e mais uma gloriosa constelação (Didi, Nilton Santos, Garrincha, Bellini, Zito, De Sordi…), colocavam o Brasil no topo do mundo, apresentavam ao resto do planeta o verdadeiro futebol e acabavam de vez com o “complexo de vira-latas”, termo brilhantemente criado por Nelson Rodrigues após o gol de Gigghia na fatídica final de 50.

Não tenho muita coisa a escrever, nada a acrescentar sobre o assunto – ainda mais nos últimos dias, onde uma avalhance do bem nos acometeu com filmes, textos, fotos e muito material sobre a conquista na Suécia.

Fico com três rápidas sugestões sobre o tema:

1 . Primoroso documentário produzido pela ESPN Brasil, “A Copa do Mundo é Nossa”, produto dos grandes Marcelo Gomes e Helvídio Matos. Foi exibido ontem e contará com várias reprises nos próximos dias.

2. Entrevista feita por Rodrigo Bueno com o Rei Pelé hoje na Folha de São Paulo onde ele, categoricamente, afirma que o time de 58 foi o maior de todos os tempos, o melhor onde ele jogou – coisa que, humildemente, este blogueiro discorda.

3. Do mesmo Rodrigo Bueno na mesma Folha de hoje, matéria muito bem escrita revelando os netos suecos de Garrincha. Sobre o filho, Ulf Lindberg, copia esculpida em carrara do anjo das pernas tortas, muito se sabia. Agora vêm uma ótima história dos netos – um deles sonha ganhar a vida como jogador de futebol e até pensa em vir ao Brasil para treinar no Botafogo.

E viva a azulzinha – fomos campeões com ela, a número 2, onde o número era amarelo!

Que os selecionáveis de hoje, mais para burocráticos profissionais de repartição na hora de vestir o manto brasileiro, se inspirem nas histórias de superação dos homens de 58 e de um menino-homem de 17 e façam jus à sua enorme tradição.